embaixadores da música da Terra

Ouvindo Bach pelo trânsito da metrópole hoje, me peguei pensando sobre a “garrafa no espaço” lançada pelas espaçonaves Voyager 1 e 2, nos idos de 1990, quando adentraram o vácuo (espaço vazio).Terão sido encontradas?
Para quem não conhece este capítulo interessantíssimo dos feitos da NASA, recomendo fortemente este website (disponível apenas em inglês). A ideia do disco de ouro é simples: se você pudesse lançar uma garrafa no espaço, que mensagem você colocaria para alguém (ou algo) muitos anos distante do nosso sistema solar?
A NASA escolheu uma seleção de fotos da Terra, uma seleção de saudações em vários idiomas (55), 21 sons diferentes representando a vida no planeta, e nada menos do que 28 músicas escolhidas como pérolas do repertório oriental e ocidental. Dentre estas 28 selecionadas (veja lista completa aqui), 3 são obras de Bach! Dentre os clássicos, figuram ainda na lista Beethoven, Mozart e Stravinsky. Mas em quantidade, Bach é o mais recorrente.
Me pergunto que outros viajantes espaciais (além de nós terráqueos, claro) não cederiam ao encanto de uma belíssima saudação iniciada com nada menos do que o primeiro movimento do Concerto de Brandenburgo Nr. 2 em Fa maior!
Se você fosse chamado a compor esta lista dos embaixadores da música da Terra, quais músicas selecionaria?

quem são os melhores alfaiates do mundo?

Segundo a comunidade judaica de um pequeno vilarejo na Europa oriental, palco para o Train de Vie (França, 1998) do diretor Radu Mihaileanu, os melhores alfaiates do mundo são os judeus, claro! Train de Vie talvez tenha sido o filme mais judeu que já assisti – além de deliciosamente divertido. Nas palavras da comunidade – em iídiche shtetl, ou “cidadezinha” – iídiche é alemão bem-humorado. Me impressionei com a leveza do script, apesar do peso do tema subliminar: a caça de judeus pelos nazistas. A trilha sonora não deixa por menos. Fica como a dica do dia, vale a pena! 🙂

Ainda sobre o tempo de Quaresma: As Sete Últimas Palavras de Cristo

Acordei hoje pensando nAs Sete Últimas Palavras de Cristo, na versão do compositor alemão Felix Mendelssohn. O dia ensolarado e limpo no interior paulista não  parece fazer conta de que novamente estamos em meio à Quaresma, mas o momento clama à reflexão. Refletir sobre o fato de que Jesus Cristo morreu para redimir toda a humanidade, apesar de toda a humilhação e sofrimento detalhadamente descrito nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Lembrar que carregou sua cruz por toda a Via Dolorosa em Jerusalém, até o calvário, crucificação e agonia até o fim.

A sugestão deste post é meditar sobre a paixão de Cristo, refletindo sobre Suas Sete Últimas Palavras – ou devoção conhecida por Via Crucis. A Via Crucis começou a ser realizada anualmente durante a Quaresma, após a interrupção da peregrinação para a Terra Santa por causa da ocupação militar de Jesuralém na Idade Média. O caminho relembra as 14 estações, da Paixão, Crucificação e Morte de Jesus Cristo, iniciando com a condenação à morte de Jesus por Pilatos e se encerrando com o enterro de Jesus após sua morte na cruz.

Para fechar, deixo um trecho da peça na leitura de Theodore Dubois, com o Coral da Igreja Presbiteriana de Fort Lauderdale, regência de Diane Bish:

Concerto de Quaresma no Mosteiro de São Bento de Vinhedo

Para os cristãos, a Quaresma remete aos quarenta dias que Jesus passou no deserto em oração e por esta razão é comum que durante este período os cristãos se dediquem ao jejum e à meditação. Conforme já conversamos aqui no LesAmis antes (veja no post Quaresma ao som de Mozart), para o universo da música de concerto, a quaresma costumava ser um período bastante propício para a estreia de obras – especialmente nas comunidades fervorosamente católicas – como opção de entretenimento neste momento em que os teatros dramáticos permaneciam fechados.

Neste espírito de Quaresma, a boa nova da semana é a retomada da série de concertos no Mosteiro de São Bento de Vinhedo. O próximo encontro será no dia 20 de março às 20:00. No programa, a segunda parte do belíssimo O Messias, de Händel, com coro, solistas e orquestra barroca sob a batuta do regente Osny Fonseca. Os convites serão vendidos na entrada do concerto ao preço unitário de R$ 20. A acústica da sala é bastante interessante e a locação do mosteiro – com lojinha, pequeno museu e jardim – merece uma visita mais prolongada. Vamos ao concerto?

chopin, 200 anos!

Hoje é o dia em que o mundo todo celebra os 200 anos de nascimento do compositor e pianista polonês Fryderyk Chopin – o compositor cujo nome é sinônimo de belas jóias do repertório para piano solo. Muito foi publicado e está disponível ao simples clique de uma busca na internet. Então para este post separei dois pontos que gostaria de destacar.

O primeiro diz respeito ao Concurso de Piano Fryderyk Chopin, que acontece em Warsaw (Varsóvia, Polônia), desde 1927. Revendo a lista de ganhadores dos prêmios atribuídos pelo concurso, fiquei surpresa e feliz por reconhecer que o nosso Arthur Moreira Lima, figura como o pianista brasileiro ganhador do segundo lugar na edição de 1965 (o primeiro lugar neste ano ficou com a pianista argentina Martha Argerich). Um feito até o momento não superado por outro brasileiro – vejam só que oportunidade… 🙂

A propósito, se você ainda não ouviu o também polonês jovem pianista Rafal Blechacz interpretando Chopin, está na hora de corrigir esta “falha de formação”. Rafal levou o primeiro lugar na edição de 2005 com uma performance absolutamente incrível.

O segundo ponto que separei para destacar é uma curiosidade sobre a morte de Chopin. Ele faleceu em Paris, em 1849, onde foi sepultado. Porém seu coração foi removido e enterrado numa igreja em Varsóvia, segundo sua vontade. Para a celebração de sua missa de morte, na Igreja de Madeleine em Paris, o Requiem de Wolfgang Amadeus Mozart, também segundo sua expressa vontade – mas isso teve que esperar quase duas semanas, pois na época mulheres não podiam cantar na igreja e foi preciso negociar uma forma de permiti-lo (cantaram atrás de uma cortina negra). Para o funeral, sua própria marcha fúnebre (Sonata n# 2, Opus 35).

Acho muito difícil eleger algo em Chopin que eu possa apontar como sendo o que gosto mais. Mas se realmente tivesse que fazê-lo, ficaria com os Noturnos. E dentre os Noturnos, o opus 9 é de longe o meu favorito. Então deixo como petit cadeau o italiano Maurizio Pollini – primeiro lugar no Concurso Chopin na edição de 1960 – tocando o número 1 desta belíssima peça. Enjoy!