Frühstück mit Herr Mozart!

Herr Mozart analisando a qualidade da
execução de suas peças em meu Yamaha Clavinova.
Foto: Sheila M.

O post de hoje é apenas uma brincadeira. Uma brincadeira para registrar a chegada, aqui em território LesAmis, da miniatura mais apropriada de todos os tempos: Wolfgang Mozart, ele próprio, vestido à caráter não apenas para o chá da manhã, mas especialmente para apreciar a execução de algumas de suas obras primas que são tocadas religiosa e diariamente por aqui enquanto trabalho.

Capa da edição inglesa de Coffee
with Mozart, de Julian Rushton (2007)

A propósito, a referência me fez lembrar do livro que traz um diálogo fictício num café em Viena, desenhado para ter acontecido durante um chá da tarde onde o compositor recebe um visitante inglês, alguns dias antes de sua morte, ocorrida em Novembro de 1791. Apesar de fictício, o diálogo é baseado em dados bibliográficos reais do compositor, e passa por fatos marcantes de sua vida e obra, seus relacionamentos sociais, e crenças políticas e religiosas.

Não fosse pelo diálogo fluido e repleto de fatos interessantes, o livro vale ainda pela bela declaração de amor ao trabalho do mestre, nas palavras do compositor britânico Sir John Tavener, registradas no Prólogo.

É isso por hoje. Aproveite seu dia e reserve um espaço na agenda para apreciar aquela uma obra do compositor que primeiro tem vem à mente quando o assunto é Mozart!

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Melhores orquestras do mundo

Royal Concertgebouw Orchestra (Amsterdan)

Buscando algumas referências para embasar um tema que pretendo abordar lá no ThinkingBiz – para quem ainda não conhece, o meu blog de estratégia e sustentabilidade – me deparei com uma lista publicada pela Revista Gramophone inglesa, em 2008, com o resultado de uma análise de qualidade que, envolvendo 11 críticos especializados de 7 países, chegou uma lista das melhores orquestras do mundo.

Mais do que a grata felicidade que um aficcionado sente ao descobrir que já teve a oportunidade de apreciar concertos de algumas das orquestras listadas, como brasileira, fiquei ainda mais feliz com o fato de a nossa OSESP (a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) ter sido mencionada entre as 3 indicadas como emergentes (up and coming), ao lado da Royal Liverpool Philharmonic e China Philharmonic Orchestra.
É bem verdade que desde 2008, ano em que John Neschling (atual Diretor Artístico do Theatro Municipal de São Paulo), ainda reinava como Diretor Artístico e Regente Titular da OSESP, e à frente de gravações internacionalmente premiadas (5 Diapason Dor’s e mais um grammy latino), muita coisa mudou na OSESP inclusive a direção – Neschling foi demitido por razões meramente políticas em 2009, e desde então a orquestra teve novo Diretor Artístico e uma grade móvel de regentes (nenhum brasileiro, vale mencionar).
Mas voltemos aos primeiros colocados da lista da Gramophone. Veja a matéria original para a lista completa dos 20 classificados.
  1. Royal Concertgebouw Orchestra (Amsterdan)
  2. Berlin Philharmonic
  3. Vienna Philharmonic
  4. London Symphony Orchestra
  5. Chicago Symphony Orchestra

A primeira e a quinta ainda estão fora da minha lista de programas realizados… A quinta deve permanecer por mais algum tempo, mas ao menos a primeira está na agenda próxima da Temporada 2013 da Sociedade de Cultura Artística aqui em São Paulo! Para os concertos na Sala São Paulo, os concertos já se esgotaram. A boa notícia é que eles farão um concerto ao ar livre no Parque do Ibirapuera – não é a mesma experiência, mas já vale como amostra grátis 😉

Serviço:
CONCERTO AO AR LIVRE. Parque Ibirapuera
23 de junho, domingo, 11h
Programa:
ENESCU Rapsódia nº 1 (De: Rapsódias romenas, op. 11)
PROKOFIEV Romeu e Julieta (trechos)
STRAVINSKY O pássaro de fogo (trechos)
VILLA-LOBOS Tocata, “O trenzinho do caipira” (De: Bachianas brasileiras nº 2)
BIZET Farândola (De: L’Arlésienne, suíte nº 2)
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Conversar, ouvir, ovacionar. Tudo a seu tempo!

Créditos: cartunista Claude Serre.

Já tratamos aqui no LesAmis de um tema que anda permeando discussões nos quatro cantos do mundo ultimamente, a questão da “modernização” de algumas convenções do mundo da música de concerto para tornar o gênero mais atraente para os jovens.

Até me considero uma pessoa aberta para receber e sabatinar novas ideias mas por mais que eu entenda o que está em jogo, realmente não me convenci até o momento que a solução precisa necessariamente passar por liberalidades que possam incomodar a apreciação de uns em detrimento da expressão de outros.

Em publicações europeias tenho lido vários artigos interessantes sobre a matéria. E me chama atenção que as inovações que as salas de concerto vêm experimentando passam por soluções bastante mais moderadas do que tenho visto ser discutido por aqui. Mas então, como diria um grande amigo: por que não me espanto?

A Gramophone de maio passado, por exemplo, traz uma matéria interessante assinada pela jornalista e musicista Rebecca Hutter, que conta como foi sua experiência assistindo um dos concertos da série MusicUpClose cuja proposta é aproximar a audiência dos músicos e do regente, proporcionando a eles oportunidade de conversar sobre as obras, endereçar dúvidas e compartilhar experiências. Em resumo, os concertos desta série têm sessões para ouvir música e sessões para conversar sobre música.

Créditos: cartunista Gary Blehm

Notem que ninguém falou em conversar, aplaudir, ovacionar, etc, durante a execução das obras mas conversar, questionar, testar, compartilhar em momentos específicos entre as execuções. Pode parecer uma diferença pequena mas, acreditem ou não, é o norte da diferença de abordagens de soluções que tenho percebido nas discussões que tenho acompanhado por aqui (Brasil) e por lá (Europa).

Quem está habituado a frequentar ou já esteve pelo menos uma vez num concerto da OSESP na Sala São Paulo, sabe que chegando mais cedo na Sala pode participar do Falando de Música, onde se conversa sobre as obras do programa do dia, peculiaridades, contexto histórico e outras informações de interesse para o público. Particularmente, gosto muito deste serviço.

Note que, ainda que o formato atual do Falando de Música não inclua a presença e interação da audiência com os músicos, já representa um grande diferencial em relação ao formato tradicional da oferta de concertos, que no máximo inclui um programa e notas bem escritas.

Uma outra discussão que me atraiu a atenção foi uma enquete iniciada pelos Jovens Amigos da Filarmônica de Berlin, numa referência a um artigo publicado pelo Huffington Post. A autora defendia que a audiência deveria ser encorajada a aplaudir a qualquer momento como forma de reconhecer um bom desempenho da orquestra, e argumentou que no final do século XIX o público gritava, subia nas cadeiras, e se manifestava livremente, enquanto que hoje os jovens precisam se submeter às regras de etiqueta rígidas impostas desde então nas salas.

Quem ler as respostas da enquete, vai encontrar minha opinião registrada por lá em inglês, e publicada aqui a seguir numa transcrição para o português:

Este assunto é realmente polêmico. Tentei rever minha primeira escolha, mas ainda não consigo me imaginar gostando da experiência difusa de ter pessoas que interagem com a execução a qualquer momento, enquanto ela está se desenvolvendo. Pode-se afirmar que é um comportamento esperado após anos apreciando concertos no formato tradicional. Mas, então, eu não consigo imaginar um melhor ambiente para que os músicos possam se concentrar e interagir – uns com os outros e com público – que não seja pela apreciação silenciosa da audiência. Entendo que isso pode não ajudar a atrair o público mais jovem, mas me pergunto se eles não deveriam ser educados para reconhecer e respeitar as diferenças – apreciar um concerto pode ser individual, mas como público o fazemos compartilhando um ambiente coletivo.

Longe de mim tentar esgotar a discussão. Mas, como comecei afirmando, acredito que a solução deve passar por abordagens mais moderadas, um meio de caminho entre os extremos. E você, o que pensa?

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