O Lado B da Música de Concerto

O que pode ser mais frutífero e interessante do que conversar com amigos que compartilham de algumas de nossas paixões? Pouca coisa na vida, creio eu! 🙂

Pois que numa dessas conversas, aprendi que num trabalho inovador de pesquisa de repertório, uma orquestra americana anda descobrindo obras inusitadas de compositores conhecidos. Quer uns exemplos? E se eu te contar que eles encontraram música sacra escrita por Rachmaninov? E música de câmara escrita por Richard Wagner?

Assistindo pouco tempo depois da morte do maestro Claudio Abbado a um documentário feito pela Filarmônica de Berlim, aprendi que ele praticamente “ensinou” para Viena que um de seus filhos compositores mais ilustres, Sr. Franz Schubert, mais conhecido pelos suas canções (“Lieder”), alguns Quartetos e Sinfonias, foi igualmente habilidoso compositor de… ópera? Isso mesmo.

Abbado reafirmou em várias oportunidades sua grande devoção por Schubert. E como grande intérprete de Mahler que foi, maior peso tem sua visão de que para se entender Mahler é preciso conhecer Schubert!

E foi com o “forasteiro italiano”, que Viena veio a conhecer Fierrabras, ópera de Schubert em alemão, em première no Theater an der Wien, em 1988 – nada menos do que 160 após a morte do compositor (1828)!

Mas voltemos ao trabalho de pesquisa de repertório que tem feito nos últimos 20 anos a American Symphony Orchestra, sob a direção musical do maestro Leon Botstein. Juntos eles têm revelado uma espécie de “lado B” da música de concerto: pérolas de compositores conhecidos dos séculos XIX e XX, até então desconhecidas, e uma série de estreias mundiais destas obras, como parte dos programas da ASO. Reserve um tempo para explorar o website da ASO e a oferta no Youtube.

E para fechar, aproveite para assistir ao documentário com o maestro Claudio Abbado, disponível na Digital Concert Hall gratuitamente por tempo limitado, como parte da oferta de conteúdo selecionado em memória do maestro, falecido agora no início de 2014. O trecho que contextualiza o “achado” de Fierrabras se inicia em 21:00.

Boa audição!

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chopin, 200 anos!

Hoje é o dia em que o mundo todo celebra os 200 anos de nascimento do compositor e pianista polonês Fryderyk Chopin – o compositor cujo nome é sinônimo de belas jóias do repertório para piano solo. Muito foi publicado e está disponível ao simples clique de uma busca na internet. Então para este post separei dois pontos que gostaria de destacar.

O primeiro diz respeito ao Concurso de Piano Fryderyk Chopin, que acontece em Warsaw (Varsóvia, Polônia), desde 1927. Revendo a lista de ganhadores dos prêmios atribuídos pelo concurso, fiquei surpresa e feliz por reconhecer que o nosso Arthur Moreira Lima, figura como o pianista brasileiro ganhador do segundo lugar na edição de 1965 (o primeiro lugar neste ano ficou com a pianista argentina Martha Argerich). Um feito até o momento não superado por outro brasileiro – vejam só que oportunidade… 🙂

A propósito, se você ainda não ouviu o também polonês jovem pianista Rafal Blechacz interpretando Chopin, está na hora de corrigir esta “falha de formação”. Rafal levou o primeiro lugar na edição de 2005 com uma performance absolutamente incrível.

O segundo ponto que separei para destacar é uma curiosidade sobre a morte de Chopin. Ele faleceu em Paris, em 1849, onde foi sepultado. Porém seu coração foi removido e enterrado numa igreja em Varsóvia, segundo sua vontade. Para a celebração de sua missa de morte, na Igreja de Madeleine em Paris, o Requiem de Wolfgang Amadeus Mozart, também segundo sua expressa vontade – mas isso teve que esperar quase duas semanas, pois na época mulheres não podiam cantar na igreja e foi preciso negociar uma forma de permiti-lo (cantaram atrás de uma cortina negra). Para o funeral, sua própria marcha fúnebre (Sonata n# 2, Opus 35).

Acho muito difícil eleger algo em Chopin que eu possa apontar como sendo o que gosto mais. Mas se realmente tivesse que fazê-lo, ficaria com os Noturnos. E dentre os Noturnos, o opus 9 é de longe o meu favorito. Então deixo como petit cadeau o italiano Maurizio Pollini – primeiro lugar no Concurso Chopin na edição de 1960 – tocando o número 1 desta belíssima peça. Enjoy!

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Die Schöpfung no Municipal de São Paulo

HAYDN (1732-1809) e o nascimento do universo – contado em seu oratório Die Schöpfung (A Criação), em 3 partes – em sessão gratuita, na programação de Natal do Theatro Municipal de São Paulo.

Com pouco menos de 2 horas de duração, a obra conta a história da criação do mundo ao longo de 7 dias, segundo o texto do Gênesis da Bíblia cristã – alternados com textos extraídos do “Paraíso Perdido” de John Milton, ambos traduzidos para o alemão.

Compositor importante na formação da estética do classicismo, Haydn e sua “A Criação” com suas ilustrações pictóricas, instabilidades harmônicas e o prenúncio da desintegração tonal, contribuem para o estabelecimento das bases do romantismo – a estética predominante no século XIX.

É presente de Natal e agenda imperdível para os amantes do universo erudito que transitarem pela cidade de São Paulo nos próximos dias 16 e 19 de dezembro. Vamos ao concerto?

Serviço: Theatro Municipal de São Paulo. Praça Ramos de Azevedo, s/nº, Centro

Dia 16/dez às 11h e 19/dez às 20h30. Orquestra Experimental de Repertório e Coral Paulistano. Martha Herr (soprano), André Vidal (tenor), Lício Bruno (baixo), Jamil Maluf (regente).

Entrada franca. Ingressos serão distribuídos na bilheteria do teatro 2h antes do início do espetáculo.

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