Nice to meet you, Herr Menahem Pressler!

Mr. Pressler at his debut with the Berliner
Philharmoniker on Jan 11th, 2014.
Credits: Berliner Phil.

The other day I was about to attend one of the concerts of the Season 2013/2014 of the Berliner Philharmoniker when I first read about a German pianist named Menahem Pressler. I felt particularly pleased with the Mozart’s Piano Concerto Mr. Pressler had chosen to his debut with the BPhil: Nr 17, in G major, KV 453. I am very found of this piece and to me it is like Mozart’s “ode to joy” since in all 3 movements one can listen to nothing but cheerful and happy notes. But my sequence of happy revelations was only beginning…

Semyon Bychkov was the conductor for the night. For the second part of the concert, Mr. Bychkov conducted a brilliant execution of the celebrated (Dimitri) Shostakovich’s 11th Symphony in G minor.

During the interval, both Mr. Pressler and Mr. Bychkov were separately interviewed. I learnt big time from Mr. Pressler’s stories… This was his debut with the BPhil, at the age 90. And at this very age, he is still as active as I could not imagine from someone else. He teaches in the US, plays and records with his Beaux Arts Trio, and above all, plays as soloist in the most prestigious temples of classical music: St Petersburg, Amsterdan, Paris, Berlin, among them.

In his interview he explained his “religious approach” when comes to “sacred” music written by the ones he consider “Gods” or at least “semi-Gods” – Mozart, Bach, Beethoven, Ravel, Debussy. And the theory goes on: he feels himself like a Priest whose religion is Music and whose readings are written in scores, which he reads and reads and keeps on trying to interpret and teach others. Brilliant!

Beaux Arts Trio in concert.

Googling in search of more background information about Mr. Pressler, another happy revelation arose: the cellist of the Beaux Arts Trio is no other than the Brazilian Antonio Menezes! How come I have never connected those two dots? Unbelievable!

One of my greatest frustrations in life is that I will never get a chance to attend a live performance of the Ukrainian pianist Mr. Vladimir Horowitz (1903-1989). Mr. Horowitz is definitively among my top favourites, not only but especially when comes to Mozart. I felt particularly touched by their resemblance (look and feel). And I hope I can find my way to the audience of one of Mr. Pressler’s concerts soon!

The full concert is unfortunately only available for subscribers of the Digital Concert Hall but here you have a great glimpse of it direct from BPhil’s Youtube Channel. So, have a seat, find your best smile and enjoy it! ūüôā

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Fr√ľhst√ľck mit Herr Mozart!

Herr Mozart analisando a qualidade da
execução de suas peças em meu Yamaha Clavinova.
Foto: Sheila M.

O post de hoje é apenas uma brincadeira. Uma brincadeira para registrar a chegada, aqui em território LesAmis, da miniatura mais apropriada de todos os tempos: Wolfgang Mozart, ele próprio, vestido à caráter não apenas para o chá da manhã, mas especialmente para apreciar a execução de algumas de suas obras primas que são tocadas religiosa e diariamente por aqui enquanto trabalho.

Capa da edição inglesa de Coffee
with Mozart, de Julian Rushton (2007)

A propósito, a referência me fez lembrar do livro que traz um diálogo fictício num café em Viena, desenhado para ter acontecido durante um chá da tarde onde o compositor recebe um visitante inglês, alguns dias antes de sua morte, ocorrida em Novembro de 1791. Apesar de fictício, o diálogo é baseado em dados bibliográficos reais do compositor, e passa por fatos marcantes de sua vida e obra, seus relacionamentos sociais, e crenças políticas e religiosas.

N√£o fosse pelo di√°logo fluido e repleto de fatos interessantes, o livro vale ainda pela bela declara√ß√£o de amor ao trabalho do mestre, nas palavras do compositor brit√Ęnico Sir John Tavener, registradas no Pr√≥logo.

√Č isso por hoje. Aproveite seu dia e reserve um espa√ßo na agenda para apreciar aquela uma obra do compositor que primeiro tem vem √† mente quando o assunto √© Mozart!

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M√ļsica cl√°ssica sem casaca. Mas sem educa√ß√£o?

Palco do Theatro Municipal
de SP. Foto: Sheila Maceira

Manhã de domingo, concerto interessante na agenda da Temporada 2013 do Theatro Municipal de São Paulo. Mozart e Bruckner desafiando a regência do grande Jamil Maluf e sua Orquestra Experimental de Repertório. A imensa fila na bilheteria do Theatro a menos de 10 minutos do início do concerto evidencia o apelo popular do prodígio de Salzburg muito embora o seu Concerto para Piano Nr 23 em Lá maior (KV. 488) não soe para mim como um dos carros-chefe de tamanha popularidade. Me explico: a obra em questão evoca muito mais sombras e contemplação do que a alegria e leveza típicas de outros concertos para piano do mestre.

Seja como for, a imensa fila tamb√©m denuncia, para olhos mais atentos, uma certa falha na oferta de servi√ßos da bilheteria do teatro: fila √ļnica e apenas uma cabine para venda de ingressos. Para quem opta por n√£o pagar pela conveni√™ncia do ingresso via internet, talvez a medida da inconveni√™ncia esteja um pouco al√©m do razo√°vel em se tratando de um teatro municipal. Apenas mais um, na montanha de desafios a vencer pela gest√£o Herencia/Neschling.

Conseguir acessar e me acomodar nos assentos escolhidos foi a próxima batalha inglória. Para minha surpresa, praticamente TODAS as pessoas que ocupavam as cadeiras da plateia no entorno do meu lugar estavam fora de seus assentos comprados. Imagine o tumulto que isso gera para realocação num teatro de fileiras longas e estreitas, e a poucos minutos do início do concerto.

A pr√≥xima surpresa se revelou logo na sequ√™ncia do in√≠cio do concerto: nada menos do que 3 beb√™s na plateia. Sim, eu disse beb√™s – um deles bastante incomodado no colo da m√£e na primeira fileira do teatro, bem em frente ao spalla (!). A Sala S√£o Paulo recomenda idade m√≠nima de 7 anos mas aparentemente o Theatro Municipal n√£o compartilha do mesmo entendimento. Desnecess√°rio comentar sobre as consequ√™ncias de tal situa√ß√£o. Durante o intervalo, perguntei a uma das funcion√°rias sobre a pol√≠tica da casa para esta quest√£o e ela me respondeu que beb√™s n√£o s√£o permitidos dentro da sala de concerto. Sinalizei que haviam pelo menos 3 naquela manh√£ e ela se limitou a repetir a regra. N√£o que eu esperasse uma atitude muito diferente do que esta num pa√≠s que ocupa o pen√ļltimo lugar no ranking da educa√ß√£o mundial.

Incont√°veis foram ainda os inc√īmodos e broncas direcionadas a pessoas na plateia fotografando, filmando, acessando seus rel√≥gios (com som), conversando e comendo. A obra de Bruckner, ao contr√°rio do popular g√™nio austr√≠aco, n√£o √© exatamente daquelas que se podem considerar de f√°cil consumo. E Jamil Maluf gentilmente conversou e explicou isso ao p√ļblico presente antes do in√≠cio da execu√ß√£o da Sinfonia Nr 6 em L√° maior do tamb√©m austr√≠aco Bruckner.

Me senti especialmente honrada de poder ouvir a obra em versão integral Рcoisa que o próprio compositor não chegou a fazer em seu tempo de vida, já que em sua estreia em Viena, em 1883, foram executadas apenas seus segundo e terceiro movimentos.

Confesso que, no meio do concerto, me peguei pensando sobre a discuss√£o sempre dif√≠cil de convergir gregos e troianos, a respeito da “moderniza√ß√£o” do ritual existente para ouvir m√ļsica nas salas de concerto. Pensei nos que defendem maior flexibilidade, menor rigor formal e algumas outras sugest√Ķes at√© bem intencionadas e fundamentadas.

Mas igualmente pensei que esta discuss√£o √© irrelevante quando n√£o se tem ao menos um pr√©-requisito fundamental: educa√ß√£o para se engajar no espet√°culo de forma a participar sem perturbar. Pensei nas experi√™ncias que tive como plateia na Filarm√īnica de Berlin e no Barbican Hall, no Musikverein de Viena e no Metropolitan de Nova York – e mesmo por aqui no Cultura Art√≠stica e Mozarteum. Em geral, salas muito maiores do que a do Municipal de S√£o Paulo, onde minha experi√™ncia pessoal de aprecia√ß√£o, mesmo quando com lota√ß√£o completa, tem sido incomparavelmente melhor do ponto de vista de intera√ß√£o p√ļblico/orquestra. Podemos at√© insistir na verborragia associada √† tal m√ļsica cl√°ssica sem casaca. Mas sem educa√ß√£o, a discuss√£o parece n√£o fazer sentido algum.

Serviço:
Orquestra Experimental de Repertório
Regente: Jamil Maluf
Piano solista: José Feghali
Programa:
W. A. Mozart: Abertura da √ďpera “O Rapto do Serralho”, KV. 384
W.A. Mozart: Concerto para Piano e Orquestra Nr 23 em L√° maior, KV. 488
Anton Bruckner: Sinfonia Nt 6 em L√° maior
Ingressos: R$20 a R$60 na Bilheteria do Theatro ou através da www.ingresso.com.br/prefeitura


Programação completa do Theatro Municipal de São Paulo disponível aqui.
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minueto: a “m√ļsica do respeito”

Tema recorrente em algumas conversas interessantes recentes, estou j√° h√° algum tempo para compartilhar o pouco que sei sobre minuetos. Minueto √© um verbete exclusivo do jarg√£o musical. Acredita-se que sua etmologia esteja relacionada aos pas menus, ou seja “passos diminutos” com os quais √© dan√ßado. Escrita em compasso 3/4, consiste de uma dan√ßa elegante e graciosa de origem francesa: uma dan√ßa da sociedade por excel√™ncia, com etiqueta coreogr√°fica pr√≥pria, exigindo equil√≠brio, controle e gra√ßa.

Incluída numa ópera de Jean-Baptiste Lully em 1673, rapidamente ganhou a corte de Luis XIV, e com ela a sociedade europeia, chegando a se tornar a rainha das danças nos palácios e palcos, do barroco a fins do século XIX.

Como forma de dan√ßa, √© essencialmente cortes√£ como foram as tamb√©m barrocas giga e sarabanda. Do ponto de vista musical, sua import√Ęncia hist√≥rica adv√©m do fato de ter sido a √ļnica forma usada n√£o apenas nas su√≠tes do barroco, mas em sinfonias e outras grandes obras instrumentais. Adorada pela nobreza afeita ao mecenato, tornou-se h√°bito entre os compositores da m√ļsica de concerto da √©poca, incluir minuetos em suas sinfonias e pe√ßas da m√ļsica de c√Ęmara.

Entre os grandes nomes, Haydn foi o primeiro a us√°-lo numa sinfonia. Em suas sonatas, o minueto passou a substituir o movimento mais lento. Ao contr√°rio do costume da √©poca, Haydn os comp√īs em andamento mais r√°pido – numa esp√©cie de antecipa√ß√£o a Beethoven, que mais tarde veio a transformar o minueto em scherzo: um minueto do ponto de vista formal por√©m com andamento ainda mais r√°pido. Assim como Haydn, tamb√©m Mozart fez amplo uso do minueto em seus concertos – repletos da suavidade e gra√ßa peculiares de sua escrita musical.

Com a Sala dos Espelhos do Pal√°cio de Versalhes em mente, n√£o √© dif√≠cil imaginar a entrada leve dos pares de nobres, fazendo rever√™ncias m√ļtuas e ao rei, numa express√£o m√°xima do esplendor cerimonial da corte, atrav√©s da gra√ßa, solenidade e express√£o dos sorrisos. Com esta imagem fica f√°cil entender o porqu√™ do minueto ser¬†chamado “m√ļsica do respeito” – a m√ļsica das pessoas que “se sent“, nas palavras do fil√≥sofo Saint-Simon, numa alus√£o √†¬†respeitabilidade do que se √©.

Enquanto “m√ļsica do respeito” encontrou em Luis XIV – o rei sol, patrono das artes e ele pr√≥prio tido como excelente bailarino – um admirador devotado. Uma √≥tima oportunidade para conferir esta rela√ß√£o √© assistir ao filme Le Rois Danse (Fran√ßa, 2000, dirigido por G√©rard Corbiau). Um extrato de 3 trechos de dan√ßa do filme pode ser conferido no youtube.

A lista de belas composi√ß√Ķes em forma de minueto √© longa, mas qualquer que seja a sele√ß√£o, na minha modesta opini√£o algumas pe√ßas n√£o podem faltar:

  • o Minueto do Concerto de Brandenburgo No. 1, de Johann Sebastian Bach, publicado em 1718
  • o¬†Minueto do Quinteto de Cordas Op. 13, Nr 5, G. 275, de Luigi Boccherini ,publicado em 1775 – este considerado por muitos “o” minueto dos minuetos
  • os Minuetos erroneamente atribu√≠dos a Johann Sebastian Bach com √≠ndices BWV 113 a 116. Registrados para a posteridade no¬†Notenb√ľchlein f√ľr Anna Magdalena Bach s√£o respectivamente: 113 e 116 de autor desconhecido; 114 e 115 de Christian Petzold
  • dentre as muitas joias escritas na forma de minueto por Franz Joseph Haydn, o da Sinfonia Nr 100 em G maior, “Militar”, publicada em 1793
  • o terceiro movimento da Serenata em G maior, K. 525 “Eine kleine Nachtmusik“, e o terceiro movimento da Sinfonia dos Brinquedos, ambos de Wolfgang Amadeus Mozart
  • o Minueto em G maior, Op. 10, Nr 2, de Ludwig van Beethoven
  • o Minueto da Sonata para viol√£o em C maior, Op.¬†22, Nr 3, de Fernando Sor (minha favorita na interpreta√ß√£o do ingl√™s Julian Bream)

E para fechar, compartilho aqui minha sele√ß√£o de minuetos, como petit cadeau de Natal… para apreciar sem modera√ß√£o! ūüôā

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retrato de um pianista excepcional: piotr anderszewski, o viajante inquieto

H√° tempos planejo dedicar algum tempo para escrever sobre um dos meus √≠dolos ao piano: o h√ļngaro-polon√™s Piotr Anderszewski. Aproveito aqui o momento feliz, por ter finalmente recebido meu exemplar do “Unquiet Traveller”: um filme-document√°rio dirigido pelo cineasta franc√™s Bruno Monsaingeon, conhecido por proezas similares com outros grandes nomes do piano como o canadense Glenn Gould e o ucraniano¬†Sviatoslav Richter.
Tive a felicidade de conhecer o trabalho deste pianista espetacular durante a temporada 2007 da Sociedade de Cultura Art√≠stica, em S√£o Paulo. No programa, nada menos do que as Varia√ß√Ķes Diabelli do compositor alem√£o (Ludwig van) Beethoven, parte do primeiro CD que Anderszewski gravou como artista exclusivo do selo Virgin, e que j√° come√ßou no topo: arrebatando os cobi√ßados pr√™mios Diapason D’Or e Choc du Monde la Musique.
Creio que este assunto merece algumas linhas mais para que se tenha uma ideia mais clara de sua real import√Ęncia. Primeiro sobre tema e varia√ß√Ķes: a submiss√£o de um tema para que sejam compostas transforma√ß√Ķes – portanto, varia√ß√Ķes – √© uma das pr√°ticas mais antigas da m√ļsica ocidental instrumental erudita. O registro mais antigo desta pr√°tica remonta ao per√≠odo Barroco, quando foram escritas as 30 Varia√ß√Ķes Goldberg, por (Johann Sebastian) Bach em 1742. Em fins do s√©culo XIX, Antonin Diabelli, um compositor e editor austr√≠aco, enviou um tema de uma de suas valsas a 50 compositores, para que fossem criadas varia√ß√Ķes que seriam publicadas numa antologia austr√≠aca da √©poca (que veio a ser intitulada “Associa√ß√£o Art√≠stica Patri√≥tica”). Varia√ß√Ķes foram escritas por compositores do porte de Liszt, Schubert e Hummel, por√©m dentre os trabalhos recebidos, foi Beethoven quem marcou a hist√≥ria deste desafio para sempre, com uma proposta experimental revolucion√°ria, embora de dific√≠lima execu√ß√£o t√©cnica. Pois bem, agora melhor contextualizado, d√° para entender um pouco mais do que significou para o ent√£o totalmente desconhecido jovem Piotr Anderszewski se apresentar para a final da prestigiosa Competi√ß√£o de Piano Leeds International, aos 20 anos de idade, executando nada menos do que as Varia√ß√Ķes Diabelli.
O recital no Cultura Art√≠stica foi para mim absolutamente inesquec√≠vel: a intensidade emocional e originalidade de sua interpreta√ß√£o – amplamente reconhecidas pelo p√ļblico e pela cr√≠tica – s√£o daquelas coisas de que os melhores momentos da vida s√£o feitos…
Quanto ao filme, assim como a persona retratada, √© absolutamente n√£o convencional. O filme retrata uma jornada de inverno que se inicia na Pol√īnia, passando pela Hungria, Alemanha, Londres, Paris e finalmente Lisboa – onde o pianista escolheu morar mais recentemente. O filme se passa como se o expectador estivesse partilhando da companhia do pianista durante esta jornada, feita boa parte do tempo sobre trilhos – sim, literalmente, de trem. Me parece que uma das escolhas mais interessantes do diretor foi ter abolido o tradicional formato de entrevista – o filme n√£o √© um di√°rio de viagem, mas uma cole√ß√£o de excelentes interpreta√ß√Ķes de Anderszewski ao piano, entrela√ßadas por reflex√Ķes absolutamente pessoais que o pianista escolheu revelar sobre si pr√≥prio. Uma obra de arte.

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sobre A Comédia Infernal e o poder da ópera

Hist√≥rias reais do crime podem n√£o ser exatamente algo que gostar√≠amos de seguir lendo e ouvindo, mas inegavelmente algumas delas podem constituir mat√©ria-prima de ineg√°vel riqueza para o teatro de √≥pera. Baseada na est√≥ria real de Jack Unterweger – o famoso assassino serial austr√≠aco que matou dezenas de prostitutas em v√°rios pa√≠ses – a pe√ßa “The Infernal Comedy” (A Com√©dia Infernal), com John Malkowich, tem feito grande sucesso com a cr√≠tica e com o p√ļblico.
Condenado por homicídio, Unterweger veio a tornar-se poeta e romancista de grande expressão na prisão. Chegando a ter sua soltura antecipada por intervenção de críticos e intelectuais que o adoravam, uma vez fora, veio a tornar-se um jornalista de grande prestígio, por sua capacidade de compreender e retratar o mundo da luz vermelha. Reincidente no assassinato em série, acabou suicidando-se.
E √© esta a est√≥ria que uma nova proposta no teatro de √≥pera se prop√Ķe a contar. No palco, um ator (o grande John Malkovich), dois sopranos, uma orquestra barroca. As v√≠timas s√£o representadas pelos sopranos, com uma bel√≠ssima sele√ß√£o de √°rias de √≥peras de Beethoven,¬†Mozart, Haydn e Weber – al√©m de m√ļsica instrumental e melodram√°tica extra√≠da de¬†Gluck e Boccherini:
Beethoven¬†Cena e √Āria ‚ÄėAh, perfido‚Äô

Haydn¬†Cena de Berenice ‚ÄėBerenice che fai?‚Äô
Mozart¬†Recitativo, √Āria e Cavatina ‚ÄėAh, lo pervidi‚Äô
Weber¬†Cena e √Āria ‚ÄėAh seed mundo fosse l‚Äôuccisor!‚Äô

Os mon√≥logos interpretados por Malkovich, s√£o de tempos em tempos durante a pe√ßa, ilustrados por m√ļsicas que refor√ßam as emo√ß√Ķes narradas – alegria, √≥dio, amor, desejo – atrav√©s das √°rias interpretadas pelos sopranos.
A Revista Gramophone deste m√™s publicou uma interessante entrevista com John Malkovich, sobre a pe√ßa mas antes sobre a experi√™ncia deste em tomar contato com a √≥pera e trilhar seus primeiros passos como ouvinte e apreciador da grande m√ļsica.
Ouvindo as √°rias, d√° para ter uma ideia da for√ßa dram√°tica e papel fundamental que a m√ļsica ocupa na narrativa. Para fechar,¬†deixo uma recomenda√ß√£o para ‘Berenice che fai?’, na interpreta√ß√£o da majestosa mezzo-soprano italiana Cecilia Bartoli. Este video infelizmente n√£o contempla a cena completa, mas o suficiente para ilustrar seu poder dram√°tico. Enjoy!

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Uma tarde em Viena – 100 anos de dist√Ęncia…

Felicidade de segunda-feira √©… conseguir arrematar os √ļltimos ingressos, ainda em boa localiza√ß√£o no coro da Sala SP, para assistir a um excelente programa que n√£o faz parte de sua s√©rie de assinatura!

O pianista Ricardo Castro eu ainda n√£o tive oportunidade de ouvir: vai ser novidade. De Thomas Dausgaard, o regente dinamarqu√™s, cheguei a ler que ficou famoso por boas interpreta√ß√Ķes de Beethoven e Schumann. Apesar disso,¬†a contar pelas √≥timas surpresas que a programa√ß√£o de convidados da OSESP desta temporada tem nos apresentado,¬†imagino que n√£o ser√° menos grata a surpresa desta vez. Assim, espero: s√£o duas √≥timas pe√ßas, do repert√≥rio de meus compositores favoritos. A ‘ouvir’… ūüôā

19.jun
Wolfgang Amadeus MOZART
Concerto n¬ļ 26 para Piano em R√© maior – Coroa√ß√£o
Gustav MAHLER
Sinfonia n¬ļ 6 em l√° menor – Tr√°gica

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bravo cecilia!

dizer que¬†cecilia bartoli √© uma grande cantora √© hoje em dia muito mais do que, em portugu√™s padr√£o, dizer “chover no molhado”. ainda assim, me alegro em reafirmar o quanto me encanto com suas interpreta√ß√Ķes – das mais dif√≠ceis pe√ßas √†s mais delicadas e graciosas. estudando boas interpreta√ß√Ķes de trechos da √≥pera “Le Marriage de Figaro”, de Mozart, encontrei esta deliciosa e feliz interpreta√ß√£o para a arietta “Voi, que sapete que cosa √© amor”:

vale ou n√£o vale um entusiasmado “bravo”! ūüôā

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mozart completo!

fu√ßando pela net em busca de algumas partituras encontrei uma refer√™ncia digna de nota e de ser compartilhada com les amis: o website digital mozart edition, que √© uma refer√™ncia definitiva de todas as obras¬†do compositor austr√≠aco. o website √© um projeto ambicioso e sua primeira fase pretende tornar dispon√≠vel em formato digital nada menos do que¬†¬†126 volumes e aproximadamente 26,000 p√°ginas de m√ļsica – al√©m de uma vasta cole√ß√£o de cartas e documentos da fam√≠lia mozart.

parabéns ao Mozart Institute, imbuído da nobre tarefa de compartilhar em formato digital o conhecimento acumulado sobre a vida e obra do gênio, permitindo acesso livre a todos os internautas interessados!

para chegar na se√ß√£o de partituras, clique no link “NMA” (Neue Mozart Ausgabe). √© poss√≠vel recuperar a partitura de seu interesse a partir de v√°rias caracter√≠sticas (√≠ndice KV, tom, palavra-chave, editor, etc). aproveitem! ūüôā

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quaresma ao som de mozart

Diz-se que se quis√©ssemos aprender tudo o que h√° para saber sobre mozart, mas tiv√©ssemos que nos ater a apenas um g√™nero de composi√ß√£o, nossa melhor escolha estaria seguramente no universo dos seus concertos para piano. Somando o expressivo n√ļmero de 27 obras, os concertos para piano escritos pelo ilustre compositor austr√≠aco revelam a um s√≥ tempo muitas peculiaridades do g√™nio, do amadurecimento da composi√ß√£o e tamb√©m do entorno social da Viena cat√≥lica do s√©culo XVIII.

O primeiro concerto para piano escrito por mozart (piano concerto Nr 1 em F maior, KV. 37), datado de abril de 1767, consiste de um conjunto de 3 movimentos de sonatas de outros compositores, por ele arranjados para vers√£o orquestral. Vale destacar que √† √©poca, mozart somava 11 anos de idade. J√° o √ļltimo fora composto entre 1788-91 (piano concerto Nr 27 em B maior, KV. 595), contempor√Ęneo do tamb√©m √ļltimo inverno de sua vida, tendo estreiado em Viena em mar√ßo de 1791, 9 meses antes de sua morte em dezembro do mesmo ano.

Grande parte dos 27 concertos foi escrita durante ou pouco tempo antes da Quaresma, as seis semanas de reflex√£o no mundo cat√≥lico, que precedem a P√°scoa, a cada ano. Sendo a Viena da √©poca uma cidade fervorosamente cat√≥lica, os teatros dram√°ticos permaneciam fechados durante estas semanas. Sem a concorr√™ncia destes, a temporada oferecia a oportunidade perfeita para que os m√ļsicos de concerto capitalizassem sobre a grande demanda por entretenimento.

Ex√≠mio pianista reconhecido como tal em seu tempo, mozart atra√≠a um p√ļblico respeit√°vel para as salas de concerto, chegando a executar de 3 a 4 r√©citas por semana. N√£o fosse por quaisquer outros motivos, como pianista e compositor, as temporadas de quaresmas tiveram papel de destaque na motiva√ß√£o da produ√ß√£o de seus concertos para piano. Uma curiosidade e tanto para se compartilhar nestes tempos de quaresma do ver√£o-outono brasileiro de 2007.

Dif√≠cil apontar dentre suas obras no g√™nero, aquelas de maior destaque – muitas e acaloradas s√£o as discuss√Ķes entre apreciadores e cr√≠ticos, h√° gera√ß√Ķes. Mas como nem tudo √© assim t√£o controverso, num ponto gregos e troianos concordam: o concerto nr 15 (piano concerto nr 15 em B maior, KV. 450) estreiado na primavera europ√©ia de 1784 conjuntamente com outros 3 concertos para piano escritos num tempo recorde de 2 meses, est√° sem d√ļvida alguma entre suas obras maestras. E n√£o apenas pela qualidade e originalidade da composi√ß√£o, conforme destacado pelos cr√≠ticos da √©poca logo ap√≥s sua morte, mas especialmente pela leveza da harmonia, o contraste de luz e sombra e o alto n√≠vel de exig√™ncia na interpreta√ß√£o.

Vamos continuar conversando nos pr√≥ximos posts sobre impress√Ķes e caracter√≠sticas dos concertos para piano de mozart. Para quem me acompanhou at√© aqui, um presentinho:
Piano Concerto nr 15 em B maior, KV. 450
Orquestra: Academy of St. Martin In The Fields
Condutor: Sir Neville Marriner
Solista (Piano): Alfred Brendel
Selo: Philips, 1994
Boa audição e até a próxima!
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