Nice to meet you, Herr Menahem Pressler!

Mr. Pressler at his debut with the Berliner
Philharmoniker on Jan 11th, 2014.
Credits: Berliner Phil.

The other day I was about to attend one of the concerts of the Season 2013/2014 of the Berliner Philharmoniker when I first read about a German pianist named Menahem Pressler. I felt particularly pleased with the Mozart’s Piano Concerto Mr. Pressler had chosen to his debut with the BPhil: Nr 17, in G major, KV 453. I am very found of this piece and to me it is like Mozart’s “ode to joy” since in all 3 movements one can listen to nothing but cheerful and happy notes. But my sequence of happy revelations was only beginning…

Semyon Bychkov was the conductor for the night. For the second part of the concert, Mr. Bychkov conducted a brilliant execution of the celebrated (Dimitri) Shostakovich’s 11th Symphony in G minor.

During the interval, both Mr. Pressler and Mr. Bychkov were separately interviewed. I learnt big time from Mr. Pressler’s stories… This was his debut with the BPhil, at the age 90. And at this very age, he is still as active as I could not imagine from someone else. He teaches in the US, plays and records with his Beaux Arts Trio, and above all, plays as soloist in the most prestigious temples of classical music: St Petersburg, Amsterdan, Paris, Berlin, among them.

In his interview he explained his “religious approach” when comes to “sacred” music written by the ones he consider “Gods” or at least “semi-Gods” – Mozart, Bach, Beethoven, Ravel, Debussy. And the theory goes on: he feels himself like a Priest whose religion is Music and whose readings are written in scores, which he reads and reads and keeps on trying to interpret and teach others. Brilliant!

Beaux Arts Trio in concert.

Googling in search of more background information about Mr. Pressler, another happy revelation arose: the cellist of the Beaux Arts Trio is no other than the Brazilian Antonio Menezes! How come I have never connected those two dots? Unbelievable!

One of my greatest frustrations in life is that I will never get a chance to attend a live performance of the Ukrainian pianist Mr. Vladimir Horowitz (1903-1989). Mr. Horowitz is definitively among my top favourites, not only but especially when comes to Mozart. I felt particularly touched by their resemblance (look and feel). And I hope I can find my way to the audience of one of Mr. Pressler’s concerts soon!

The full concert is unfortunately only available for subscribers of the Digital Concert Hall but here you have a great glimpse of it direct from BPhil’s Youtube Channel. So, have a seat, find your best smile and enjoy it! 🙂

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Frühstück mit Herr Mozart!

Herr Mozart analisando a qualidade da
execução de suas peças em meu Yamaha Clavinova.
Foto: Sheila M.

O post de hoje é apenas uma brincadeira. Uma brincadeira para registrar a chegada, aqui em território LesAmis, da miniatura mais apropriada de todos os tempos: Wolfgang Mozart, ele próprio, vestido à caráter não apenas para o chá da manhã, mas especialmente para apreciar a execução de algumas de suas obras primas que são tocadas religiosa e diariamente por aqui enquanto trabalho.

Capa da edição inglesa de Coffee
with Mozart, de Julian Rushton (2007)

A propósito, a referência me fez lembrar do livro que traz um diálogo fictício num café em Viena, desenhado para ter acontecido durante um chá da tarde onde o compositor recebe um visitante inglês, alguns dias antes de sua morte, ocorrida em Novembro de 1791. Apesar de fictício, o diálogo é baseado em dados bibliográficos reais do compositor, e passa por fatos marcantes de sua vida e obra, seus relacionamentos sociais, e crenças políticas e religiosas.

Não fosse pelo diálogo fluido e repleto de fatos interessantes, o livro vale ainda pela bela declaração de amor ao trabalho do mestre, nas palavras do compositor britânico Sir John Tavener, registradas no Prólogo.

É isso por hoje. Aproveite seu dia e reserve um espaço na agenda para apreciar aquela uma obra do compositor que primeiro tem vem à mente quando o assunto é Mozart!

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Música clássica sem casaca. Mas sem educação?

Palco do Theatro Municipal
de SP. Foto: Sheila Maceira

Manhã de domingo, concerto interessante na agenda da Temporada 2013 do Theatro Municipal de São Paulo. Mozart e Bruckner desafiando a regência do grande Jamil Maluf e sua Orquestra Experimental de Repertório. A imensa fila na bilheteria do Theatro a menos de 10 minutos do início do concerto evidencia o apelo popular do prodígio de Salzburg muito embora o seu Concerto para Piano Nr 23 em Lá maior (KV. 488) não soe para mim como um dos carros-chefe de tamanha popularidade. Me explico: a obra em questão evoca muito mais sombras e contemplação do que a alegria e leveza típicas de outros concertos para piano do mestre.

Seja como for, a imensa fila também denuncia, para olhos mais atentos, uma certa falha na oferta de serviços da bilheteria do teatro: fila única e apenas uma cabine para venda de ingressos. Para quem opta por não pagar pela conveniência do ingresso via internet, talvez a medida da inconveniência esteja um pouco além do razoável em se tratando de um teatro municipal. Apenas mais um, na montanha de desafios a vencer pela gestão Herencia/Neschling.

Conseguir acessar e me acomodar nos assentos escolhidos foi a próxima batalha inglória. Para minha surpresa, praticamente TODAS as pessoas que ocupavam as cadeiras da plateia no entorno do meu lugar estavam fora de seus assentos comprados. Imagine o tumulto que isso gera para realocação num teatro de fileiras longas e estreitas, e a poucos minutos do início do concerto.

A próxima surpresa se revelou logo na sequência do início do concerto: nada menos do que 3 bebês na plateia. Sim, eu disse bebês – um deles bastante incomodado no colo da mãe na primeira fileira do teatro, bem em frente ao spalla (!). A Sala São Paulo recomenda idade mínima de 7 anos mas aparentemente o Theatro Municipal não compartilha do mesmo entendimento. Desnecessário comentar sobre as consequências de tal situação. Durante o intervalo, perguntei a uma das funcionárias sobre a política da casa para esta questão e ela me respondeu que bebês não são permitidos dentro da sala de concerto. Sinalizei que haviam pelo menos 3 naquela manhã e ela se limitou a repetir a regra. Não que eu esperasse uma atitude muito diferente do que esta num país que ocupa o penúltimo lugar no ranking da educação mundial.

Incontáveis foram ainda os incômodos e broncas direcionadas a pessoas na plateia fotografando, filmando, acessando seus relógios (com som), conversando e comendo. A obra de Bruckner, ao contrário do popular gênio austríaco, não é exatamente daquelas que se podem considerar de fácil consumo. E Jamil Maluf gentilmente conversou e explicou isso ao público presente antes do início da execução da Sinfonia Nr 6 em Lá maior do também austríaco Bruckner.

Me senti especialmente honrada de poder ouvir a obra em versão integral – coisa que o próprio compositor não chegou a fazer em seu tempo de vida, já que em sua estreia em Viena, em 1883, foram executadas apenas seus segundo e terceiro movimentos.

Confesso que, no meio do concerto, me peguei pensando sobre a discussão sempre difícil de convergir gregos e troianos, a respeito da “modernização” do ritual existente para ouvir música nas salas de concerto. Pensei nos que defendem maior flexibilidade, menor rigor formal e algumas outras sugestões até bem intencionadas e fundamentadas.

Mas igualmente pensei que esta discussão é irrelevante quando não se tem ao menos um pré-requisito fundamental: educação para se engajar no espetáculo de forma a participar sem perturbar. Pensei nas experiências que tive como plateia na Filarmônica de Berlin e no Barbican Hall, no Musikverein de Viena e no Metropolitan de Nova York – e mesmo por aqui no Cultura Artística e Mozarteum. Em geral, salas muito maiores do que a do Municipal de São Paulo, onde minha experiência pessoal de apreciação, mesmo quando com lotação completa, tem sido incomparavelmente melhor do ponto de vista de interação público/orquestra. Podemos até insistir na verborragia associada à tal música clássica sem casaca. Mas sem educação, a discussão parece não fazer sentido algum.

Serviço:
Orquestra Experimental de Repertório
Regente: Jamil Maluf
Piano solista: José Feghali
Programa:
W. A. Mozart: Abertura da Ópera “O Rapto do Serralho”, KV. 384
W.A. Mozart: Concerto para Piano e Orquestra Nr 23 em Lá maior, KV. 488
Anton Bruckner: Sinfonia Nt 6 em Lá maior
Ingressos: R$20 a R$60 na Bilheteria do Theatro ou através da www.ingresso.com.br/prefeitura


Programação completa do Theatro Municipal de São Paulo disponível aqui.
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minueto: a “música do respeito”

Tema recorrente em algumas conversas interessantes recentes, estou já há algum tempo para compartilhar o pouco que sei sobre minuetos. Minueto é um verbete exclusivo do jargão musical. Acredita-se que sua etmologia esteja relacionada aos pas menus, ou seja “passos diminutos” com os quais é dançado. Escrita em compasso 3/4, consiste de uma dança elegante e graciosa de origem francesa: uma dança da sociedade por excelência, com etiqueta coreográfica própria, exigindo equilíbrio, controle e graça.

Incluída numa ópera de Jean-Baptiste Lully em 1673, rapidamente ganhou a corte de Luis XIV, e com ela a sociedade europeia, chegando a se tornar a rainha das danças nos palácios e palcos, do barroco a fins do século XIX.

Como forma de dança, é essencialmente cortesã como foram as também barrocas giga e sarabanda. Do ponto de vista musical, sua importância histórica advém do fato de ter sido a única forma usada não apenas nas suítes do barroco, mas em sinfonias e outras grandes obras instrumentais. Adorada pela nobreza afeita ao mecenato, tornou-se hábito entre os compositores da música de concerto da época, incluir minuetos em suas sinfonias e peças da música de câmara.

Entre os grandes nomes, Haydn foi o primeiro a usá-lo numa sinfonia. Em suas sonatas, o minueto passou a substituir o movimento mais lento. Ao contrário do costume da época, Haydn os compôs em andamento mais rápido – numa espécie de antecipação a Beethoven, que mais tarde veio a transformar o minueto em scherzo: um minueto do ponto de vista formal porém com andamento ainda mais rápido. Assim como Haydn, também Mozart fez amplo uso do minueto em seus concertos – repletos da suavidade e graça peculiares de sua escrita musical.

Com a Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes em mente, não é difícil imaginar a entrada leve dos pares de nobres, fazendo reverências mútuas e ao rei, numa expressão máxima do esplendor cerimonial da corte, através da graça, solenidade e expressão dos sorrisos. Com esta imagem fica fácil entender o porquê do minueto ser chamado “música do respeito” – a música das pessoas que “se sent“, nas palavras do filósofo Saint-Simon, numa alusão à respeitabilidade do que se é.

Enquanto “música do respeito” encontrou em Luis XIV – o rei sol, patrono das artes e ele próprio tido como excelente bailarino – um admirador devotado. Uma ótima oportunidade para conferir esta relação é assistir ao filme Le Rois Danse (França, 2000, dirigido por Gérard Corbiau). Um extrato de 3 trechos de dança do filme pode ser conferido no youtube.

A lista de belas composições em forma de minueto é longa, mas qualquer que seja a seleção, na minha modesta opinião algumas peças não podem faltar:

  • o Minueto do Concerto de Brandenburgo No. 1, de Johann Sebastian Bach, publicado em 1718
  • o Minueto do Quinteto de Cordas Op. 13, Nr 5, G. 275, de Luigi Boccherini ,publicado em 1775 – este considerado por muitos “o” minueto dos minuetos
  • os Minuetos erroneamente atribuídos a Johann Sebastian Bach com índices BWV 113 a 116. Registrados para a posteridade no Notenbüchlein für Anna Magdalena Bach são respectivamente: 113 e 116 de autor desconhecido; 114 e 115 de Christian Petzold
  • dentre as muitas joias escritas na forma de minueto por Franz Joseph Haydn, o da Sinfonia Nr 100 em G maior, “Militar”, publicada em 1793
  • o terceiro movimento da Serenata em G maior, K. 525 “Eine kleine Nachtmusik“, e o terceiro movimento da Sinfonia dos Brinquedos, ambos de Wolfgang Amadeus Mozart
  • o Minueto em G maior, Op. 10, Nr 2, de Ludwig van Beethoven
  • o Minueto da Sonata para violão em C maior, Op. 22, Nr 3, de Fernando Sor (minha favorita na interpretação do inglês Julian Bream)

E para fechar, compartilho aqui minha seleção de minuetos, como petit cadeau de Natal… para apreciar sem moderação! 🙂

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retrato de um pianista excepcional: piotr anderszewski, o viajante inquieto

Há tempos planejo dedicar algum tempo para escrever sobre um dos meus ídolos ao piano: o húngaro-polonês Piotr Anderszewski. Aproveito aqui o momento feliz, por ter finalmente recebido meu exemplar do “Unquiet Traveller”: um filme-documentário dirigido pelo cineasta francês Bruno Monsaingeon, conhecido por proezas similares com outros grandes nomes do piano como o canadense Glenn Gould e o ucraniano Sviatoslav Richter.
Tive a felicidade de conhecer o trabalho deste pianista espetacular durante a temporada 2007 da Sociedade de Cultura Artística, em São Paulo. No programa, nada menos do que as Variações Diabelli do compositor alemão (Ludwig van) Beethoven, parte do primeiro CD que Anderszewski gravou como artista exclusivo do selo Virgin, e que já começou no topo: arrebatando os cobiçados prêmios Diapason D’Or e Choc du Monde la Musique.
Creio que este assunto merece algumas linhas mais para que se tenha uma ideia mais clara de sua real importância. Primeiro sobre tema e variações: a submissão de um tema para que sejam compostas transformações – portanto, variações – é uma das práticas mais antigas da música ocidental instrumental erudita. O registro mais antigo desta prática remonta ao período Barroco, quando foram escritas as 30 Variações Goldberg, por (Johann Sebastian) Bach em 1742. Em fins do século XIX, Antonin Diabelli, um compositor e editor austríaco, enviou um tema de uma de suas valsas a 50 compositores, para que fossem criadas variações que seriam publicadas numa antologia austríaca da época (que veio a ser intitulada “Associação Artística Patriótica”). Variações foram escritas por compositores do porte de Liszt, Schubert e Hummel, porém dentre os trabalhos recebidos, foi Beethoven quem marcou a história deste desafio para sempre, com uma proposta experimental revolucionária, embora de dificílima execução técnica. Pois bem, agora melhor contextualizado, dá para entender um pouco mais do que significou para o então totalmente desconhecido jovem Piotr Anderszewski se apresentar para a final da prestigiosa Competição de Piano Leeds International, aos 20 anos de idade, executando nada menos do que as Variações Diabelli.
O recital no Cultura Artística foi para mim absolutamente inesquecível: a intensidade emocional e originalidade de sua interpretação – amplamente reconhecidas pelo público e pela crítica – são daquelas coisas de que os melhores momentos da vida são feitos…
Quanto ao filme, assim como a persona retratada, é absolutamente não convencional. O filme retrata uma jornada de inverno que se inicia na Polônia, passando pela Hungria, Alemanha, Londres, Paris e finalmente Lisboa – onde o pianista escolheu morar mais recentemente. O filme se passa como se o expectador estivesse partilhando da companhia do pianista durante esta jornada, feita boa parte do tempo sobre trilhos – sim, literalmente, de trem. Me parece que uma das escolhas mais interessantes do diretor foi ter abolido o tradicional formato de entrevista – o filme não é um diário de viagem, mas uma coleção de excelentes interpretações de Anderszewski ao piano, entrelaçadas por reflexões absolutamente pessoais que o pianista escolheu revelar sobre si próprio. Uma obra de arte.

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sobre A Comédia Infernal e o poder da ópera

Histórias reais do crime podem não ser exatamente algo que gostaríamos de seguir lendo e ouvindo, mas inegavelmente algumas delas podem constituir matéria-prima de inegável riqueza para o teatro de ópera. Baseada na estória real de Jack Unterweger – o famoso assassino serial austríaco que matou dezenas de prostitutas em vários países – a peça “The Infernal Comedy” (A Comédia Infernal), com John Malkowich, tem feito grande sucesso com a crítica e com o público.
Condenado por homicídio, Unterweger veio a tornar-se poeta e romancista de grande expressão na prisão. Chegando a ter sua soltura antecipada por intervenção de críticos e intelectuais que o adoravam, uma vez fora, veio a tornar-se um jornalista de grande prestígio, por sua capacidade de compreender e retratar o mundo da luz vermelha. Reincidente no assassinato em série, acabou suicidando-se.
E é esta a estória que uma nova proposta no teatro de ópera se propõe a contar. No palco, um ator (o grande John Malkovich), dois sopranos, uma orquestra barroca. As vítimas são representadas pelos sopranos, com uma belíssima seleção de árias de óperas de Beethoven, Mozart, Haydn e Weber – além de música instrumental e melodramática extraída de Gluck e Boccherini:
Beethoven Cena e Ária ‘Ah, perfido’

Haydn Cena de Berenice ‘Berenice che fai?’
Mozart Recitativo, Ária e Cavatina ‘Ah, lo pervidi’
Weber Cena e Ária ‘Ah seed mundo fosse l’uccisor!’

Os monólogos interpretados por Malkovich, são de tempos em tempos durante a peça, ilustrados por músicas que reforçam as emoções narradas – alegria, ódio, amor, desejo – através das árias interpretadas pelos sopranos.
A Revista Gramophone deste mês publicou uma interessante entrevista com John Malkovich, sobre a peça mas antes sobre a experiência deste em tomar contato com a ópera e trilhar seus primeiros passos como ouvinte e apreciador da grande música.
Ouvindo as árias, dá para ter uma ideia da força dramática e papel fundamental que a música ocupa na narrativa. Para fechar, deixo uma recomendação para ‘Berenice che fai?’, na interpretação da majestosa mezzo-soprano italiana Cecilia Bartoli. Este video infelizmente não contempla a cena completa, mas o suficiente para ilustrar seu poder dramático. Enjoy!

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Uma tarde em Viena – 100 anos de distância…

Felicidade de segunda-feira é… conseguir arrematar os últimos ingressos, ainda em boa localização no coro da Sala SP, para assistir a um excelente programa que não faz parte de sua série de assinatura!

O pianista Ricardo Castro eu ainda não tive oportunidade de ouvir: vai ser novidade. De Thomas Dausgaard, o regente dinamarquês, cheguei a ler que ficou famoso por boas interpretações de Beethoven e Schumann. Apesar disso, a contar pelas ótimas surpresas que a programação de convidados da OSESP desta temporada tem nos apresentado, imagino que não será menos grata a surpresa desta vez. Assim, espero: são duas ótimas peças, do repertório de meus compositores favoritos. A ‘ouvir’… 🙂

19.jun
Wolfgang Amadeus MOZART
Concerto nº 26 para Piano em Ré maior – Coroação
Gustav MAHLER
Sinfonia nº 6 em lá menor – Trágica

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bravo cecilia!

dizer que cecilia bartoli é uma grande cantora é hoje em dia muito mais do que, em português padrão, dizer “chover no molhado”. ainda assim, me alegro em reafirmar o quanto me encanto com suas interpretações – das mais difíceis peças às mais delicadas e graciosas. estudando boas interpretações de trechos da ópera “Le Marriage de Figaro”, de Mozart, encontrei esta deliciosa e feliz interpretação para a arietta “Voi, que sapete que cosa é amor”:

vale ou não vale um entusiasmado “bravo”! 🙂

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mozart completo!

fuçando pela net em busca de algumas partituras encontrei uma referência digna de nota e de ser compartilhada com les amis: o website digital mozart edition, que é uma referência definitiva de todas as obras do compositor austríaco. o website é um projeto ambicioso e sua primeira fase pretende tornar disponível em formato digital nada menos do que  126 volumes e aproximadamente 26,000 páginas de música – além de uma vasta coleção de cartas e documentos da família mozart.

parabéns ao Mozart Institute, imbuído da nobre tarefa de compartilhar em formato digital o conhecimento acumulado sobre a vida e obra do gênio, permitindo acesso livre a todos os internautas interessados!

para chegar na seção de partituras, clique no link “NMA” (Neue Mozart Ausgabe). é possível recuperar a partitura de seu interesse a partir de várias características (índice KV, tom, palavra-chave, editor, etc). aproveitem! 🙂

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quaresma ao som de mozart

Diz-se que se quiséssemos aprender tudo o que há para saber sobre mozart, mas tivéssemos que nos ater a apenas um gênero de composição, nossa melhor escolha estaria seguramente no universo dos seus concertos para piano. Somando o expressivo número de 27 obras, os concertos para piano escritos pelo ilustre compositor austríaco revelam a um só tempo muitas peculiaridades do gênio, do amadurecimento da composição e também do entorno social da Viena católica do século XVIII.

O primeiro concerto para piano escrito por mozart (piano concerto Nr 1 em F maior, KV. 37), datado de abril de 1767, consiste de um conjunto de 3 movimentos de sonatas de outros compositores, por ele arranjados para versão orquestral. Vale destacar que à época, mozart somava 11 anos de idade. Já o último fora composto entre 1788-91 (piano concerto Nr 27 em B maior, KV. 595), contemporâneo do também último inverno de sua vida, tendo estreiado em Viena em março de 1791, 9 meses antes de sua morte em dezembro do mesmo ano.

Grande parte dos 27 concertos foi escrita durante ou pouco tempo antes da Quaresma, as seis semanas de reflexão no mundo católico, que precedem a Páscoa, a cada ano. Sendo a Viena da época uma cidade fervorosamente católica, os teatros dramáticos permaneciam fechados durante estas semanas. Sem a concorrência destes, a temporada oferecia a oportunidade perfeita para que os músicos de concerto capitalizassem sobre a grande demanda por entretenimento.

Exímio pianista reconhecido como tal em seu tempo, mozart atraía um público respeitável para as salas de concerto, chegando a executar de 3 a 4 récitas por semana. Não fosse por quaisquer outros motivos, como pianista e compositor, as temporadas de quaresmas tiveram papel de destaque na motivação da produção de seus concertos para piano. Uma curiosidade e tanto para se compartilhar nestes tempos de quaresma do verão-outono brasileiro de 2007.

Difícil apontar dentre suas obras no gênero, aquelas de maior destaque – muitas e acaloradas são as discussões entre apreciadores e críticos, há gerações. Mas como nem tudo é assim tão controverso, num ponto gregos e troianos concordam: o concerto nr 15 (piano concerto nr 15 em B maior, KV. 450) estreiado na primavera européia de 1784 conjuntamente com outros 3 concertos para piano escritos num tempo recorde de 2 meses, está sem dúvida alguma entre suas obras maestras. E não apenas pela qualidade e originalidade da composição, conforme destacado pelos críticos da época logo após sua morte, mas especialmente pela leveza da harmonia, o contraste de luz e sombra e o alto nível de exigência na interpretação.

Vamos continuar conversando nos próximos posts sobre impressões e características dos concertos para piano de mozart. Para quem me acompanhou até aqui, um presentinho:
Piano Concerto nr 15 em B maior, KV. 450
Orquestra: Academy of St. Martin In The Fields
Condutor: Sir Neville Marriner
Solista (Piano): Alfred Brendel
Selo: Philips, 1994
Boa audição e até a próxima!
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