The Long Journey Of Women To The Podium

Listening to one of my favourite radio programmes the other day – BBC Radio 3’s Music Matters – I was delighted to learn more about a fascinating history of Mrs. Sylvia Caduff, the world’s first maestra. So many achievements, so many milestones… it is a shame her name is not spoken and revered everywhere when we comes to great conductors!

Who would say she had to hide behind a window of a room where Mr. Herbert von Karajan was giving a masterclass to young conductors at Lucern Festival one day, only to approach him by the end of it and… secure a test! Her very first time conducting, no formal specific study at all prior to that occasion – apart from conducting via… the radio at home.

Later on, Mrs. Caduff had some specific study, and was Leonard Bernstein’s assistant at the New York Philharmonic. She became one of the first women to conduct the New York Philharmonic, the Berlin Philharmonic and the Royal Philharmonic Orchestra. And that was back in the 1960s, when it was unlikely for a woman to conduct a top orchestra.

Last week I’ve been to Barbican Centre in London for a concert with the London Symphony Orchestra, which was originally set to count on the Russian conductor Valery Gergiev and the Dutch violin soloist Janine Jansen.

Unexpectedly, both called in sick and were then respectively replaced by the Finish conductor and cellist Susanna Mälkki and the German Christian Tetzlaff.

I can’t deny I was particularly enchanted by the brilliant performance of Mrs. Mälkii – it was no doubt one of the best interpretations of (Strauss’) Also sprach Zarathustra I have heard live. And that was at such short notice. Very well done!

I believe the journey of professional women was never easy regardless of the area and position, but I believe it might have always been particularly harder for maestras. It all started with Mrs. Caduff back in the day, and as the American Marin Alsop says ‘without her (Mrs. Caduff) what I do today would not be possible’. Bravo!

Discovering Sound at Belgais

Claudio Abbado, our forever conductor of the Berliner Philharmoniker, referred to the importance of listening and of silence in music. Daniel Barenboim, one of the finest pianists and conductors of our time, also celebrates silence in music:

There are many types of silence. There is a silence before the note, there is a silence at the end and there is a silence in the middle.
— Daniel Barenboim

The celebrated tireless Portuguese pianist, Maria João Pires, once more shares thoughts and feelings about sound and silence. And goes beyond: teaches and shares her personal discoveries of a lifetime, after having dedicated her entire life to the piano. We have already published about her personal thoughts on technique (The Universe of Maria João Pires), and are delighted to now share her Discovering Sound documentary.

A small token of our worship for this incredible artist and human being, a couple of days in advance of her appearance in London (at Cardogan Hall), to bring us a delightful gift: Beethoven’s ultimate Piano Sonata, Op. 111, in C minor. Bravo!

Chopin 205!

Nesta data 22 de fevereiro, no ano de 1810 – embora na incerteza da época há quem defenda que foi em 01 de março do mesmo ano – nascia nos arredores de Warsaw, na Polônia, o pianista e compositor Fryderyk Franciszek Chopin, que o mundo conhece por seu nome francês, Frédéric François Chopin. Um dos símbolos máximos do período da música conhecido por Romantismo, talentoso e extremamente reservado, em 18 anos de sua carreira na França, deu cerca de 30 concertos apenas em grandes salas – tímido, preferia o acolhedor ambiente do ambiente de câmara dos salões privados. Permanece um ídolo em sua pátria natal, de onde se mudou aos 21 anos por apoiar o ideal revolucionário contra a política da época, e dá nome ao aeroporto mais importante da Polônia até hoje.

E para celebrar o gênio em seu 205o. aniversário, deixo aqui um recorte do filme “À Noite Sonhamos” – do original em inglês “A Song to Remember“, de 1945 no olhar do diretor húngaro Károly Vidor, com 6 indicações ao Oscar e 1 estatueta ganha por Melhor Filme Estrangeiro. Neste recorte, Chopin chega com seu professor ao escritório do Sr. Pleyel, em Paris, 11 anos após uma correspondência trocada entre eles, onde o professor pedia espaço para apresentar seu aluno talentoso. O Sr. Pleyel logo mostra que não tem mais interesse em Chopin, até que na sala ao lado, ninguém menos do que Franz Liszt, em visita ao mesmo escritório e tendo encontrado uma partitura que considerou interessante aberta sobre o piano, começa a tocá-la a elogiá-la. Endosso feito, nasce uma amizade e a oportunidade de Chopin em Paris. Vale conferir!

Daniel Barenboim – A Music Ambassador

For concert music fans, the conductor and pianist Daniel Barenboim is by far one of the most celebrated. Both brilliant musician and a controversial character. Piano player, conductor, music director, professor, writer, and owner of an externes list of awards and recognitions. Born to a jewish-russian family in Argentina, in 1942, he is also well known by being a resolute critic of the Israeli occupation of Palestinian territories.

His music interests me a lot, but I am also specially fan of his writing and thoughts about music and life. When researching another theme, I happened to find out this interview he gave to “The Frost Interview” in 2013. I thought you might be delighted to check it out!

minueto: a “música do respeito”

Tema recorrente em algumas conversas interessantes recentes, estou já há algum tempo para compartilhar o pouco que sei sobre minuetos. Minueto é um verbete exclusivo do jargão musical. Acredita-se que sua etmologia esteja relacionada aos pas menus, ou seja “passos diminutos” com os quais é dançado. Escrita em compasso 3/4, consiste de uma dança elegante e graciosa de origem francesa: uma dança da sociedade por excelência, com etiqueta coreográfica própria, exigindo equilíbrio, controle e graça.

Incluída numa ópera de Jean-Baptiste Lully em 1673, rapidamente ganhou a corte de Luis XIV, e com ela a sociedade europeia, chegando a se tornar a rainha das danças nos palácios e palcos, do barroco a fins do século XIX.

Como forma de dança, é essencialmente cortesã como foram as também barrocas giga e sarabanda. Do ponto de vista musical, sua importância histórica advém do fato de ter sido a única forma usada não apenas nas suítes do barroco, mas em sinfonias e outras grandes obras instrumentais. Adorada pela nobreza afeita ao mecenato, tornou-se hábito entre os compositores da música de concerto da época, incluir minuetos em suas sinfonias e peças da música de câmara.

Entre os grandes nomes, Haydn foi o primeiro a usá-lo numa sinfonia. Em suas sonatas, o minueto passou a substituir o movimento mais lento. Ao contrário do costume da época, Haydn os compôs em andamento mais rápido – numa espécie de antecipação a Beethoven, que mais tarde veio a transformar o minueto em scherzo: um minueto do ponto de vista formal porém com andamento ainda mais rápido. Assim como Haydn, também Mozart fez amplo uso do minueto em seus concertos – repletos da suavidade e graça peculiares de sua escrita musical.

Com a Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes em mente, não é difícil imaginar a entrada leve dos pares de nobres, fazendo reverências mútuas e ao rei, numa expressão máxima do esplendor cerimonial da corte, através da graça, solenidade e expressão dos sorrisos. Com esta imagem fica fácil entender o porquê do minueto ser chamado “música do respeito” – a música das pessoas que “se sent“, nas palavras do filósofo Saint-Simon, numa alusão à respeitabilidade do que se é.

Enquanto “música do respeito” encontrou em Luis XIV – o rei sol, patrono das artes e ele próprio tido como excelente bailarino – um admirador devotado. Uma ótima oportunidade para conferir esta relação é assistir ao filme Le Rois Danse (França, 2000, dirigido por Gérard Corbiau). Um extrato de 3 trechos de dança do filme pode ser conferido no youtube.

A lista de belas composições em forma de minueto é longa, mas qualquer que seja a seleção, na minha modesta opinião algumas peças não podem faltar:

  • o Minueto do Concerto de Brandenburgo No. 1, de Johann Sebastian Bach, publicado em 1718
  • o Minueto do Quinteto de Cordas Op. 13, Nr 5, G. 275, de Luigi Boccherini ,publicado em 1775 – este considerado por muitos “o” minueto dos minuetos
  • os Minuetos erroneamente atribuídos a Johann Sebastian Bach com índices BWV 113 a 116. Registrados para a posteridade no Notenbüchlein für Anna Magdalena Bach são respectivamente: 113 e 116 de autor desconhecido; 114 e 115 de Christian Petzold
  • dentre as muitas joias escritas na forma de minueto por Franz Joseph Haydn, o da Sinfonia Nr 100 em G maior, “Militar”, publicada em 1793
  • o terceiro movimento da Serenata em G maior, K. 525 “Eine kleine Nachtmusik“, e o terceiro movimento da Sinfonia dos Brinquedos, ambos de Wolfgang Amadeus Mozart
  • o Minueto em G maior, Op. 10, Nr 2, de Ludwig van Beethoven
  • o Minueto da Sonata para violão em C maior, Op. 22, Nr 3, de Fernando Sor (minha favorita na interpretação do inglês Julian Bream)

E para fechar, compartilho aqui minha seleção de minuetos, como petit cadeau de Natal… para apreciar sem moderação! 🙂

embaixadores da música da Terra

Ouvindo Bach pelo trânsito da metrópole hoje, me peguei pensando sobre a “garrafa no espaço” lançada pelas espaçonaves Voyager 1 e 2, nos idos de 1990, quando adentraram o vácuo (espaço vazio).Terão sido encontradas?
Para quem não conhece este capítulo interessantíssimo dos feitos da NASA, recomendo fortemente este website (disponível apenas em inglês). A ideia do disco de ouro é simples: se você pudesse lançar uma garrafa no espaço, que mensagem você colocaria para alguém (ou algo) muitos anos distante do nosso sistema solar?
A NASA escolheu uma seleção de fotos da Terra, uma seleção de saudações em vários idiomas (55), 21 sons diferentes representando a vida no planeta, e nada menos do que 28 músicas escolhidas como pérolas do repertório oriental e ocidental. Dentre estas 28 selecionadas (veja lista completa aqui), 3 são obras de Bach! Dentre os clássicos, figuram ainda na lista Beethoven, Mozart e Stravinsky. Mas em quantidade, Bach é o mais recorrente.
Me pergunto que outros viajantes espaciais (além de nós terráqueos, claro) não cederiam ao encanto de uma belíssima saudação iniciada com nada menos do que o primeiro movimento do Concerto de Brandenburgo Nr. 2 em Fa maior!
Se você fosse chamado a compor esta lista dos embaixadores da música da Terra, quais músicas selecionaria?

bravo cecilia!

dizer que cecilia bartoli é uma grande cantora é hoje em dia muito mais do que, em português padrão, dizer “chover no molhado”. ainda assim, me alegro em reafirmar o quanto me encanto com suas interpretações – das mais difíceis peças às mais delicadas e graciosas. estudando boas interpretações de trechos da ópera “Le Marriage de Figaro”, de Mozart, encontrei esta deliciosa e feliz interpretação para a arietta “Voi, que sapete que cosa é amor”:

vale ou não vale um entusiasmado “bravo”! 🙂

mozart completo!

fuçando pela net em busca de algumas partituras encontrei uma referência digna de nota e de ser compartilhada com les amis: o website digital mozart edition, que é uma referência definitiva de todas as obras do compositor austríaco. o website é um projeto ambicioso e sua primeira fase pretende tornar disponível em formato digital nada menos do que  126 volumes e aproximadamente 26,000 páginas de música – além de uma vasta coleção de cartas e documentos da família mozart.

parabéns ao Mozart Institute, imbuído da nobre tarefa de compartilhar em formato digital o conhecimento acumulado sobre a vida e obra do gênio, permitindo acesso livre a todos os internautas interessados!

para chegar na seção de partituras, clique no link “NMA” (Neue Mozart Ausgabe). é possível recuperar a partitura de seu interesse a partir de várias características (índice KV, tom, palavra-chave, editor, etc). aproveitem! 🙂

peanuts is back!

comprei esses dias de presente para alguém muito querido a parte que mais gosto da coleção das tirinhas do Peanuts – sim, o famoso Minduim, como foi batizada a personagem na versão do Snoopy em português. aliás, esta coleção mereceria um post próprio por sua interessante proposta, acabamento e formato de impressão – que comparativamente à não menos notável coleção do calvin & hobbes, apesar da minha predileção descarada pelo menininho e seu tigre, apresenta muitas vantagens do ponto de vista de consumo/leitura.

mas voltando à proposta deste post: assisti hoje por recomendação de um amigo, a um vídeo bacana que traz o Linus cantando Every little thing she does is magic, da banda The Police. achei muito bacana e resolvi compartilhar um pouquinho da trupe do Peanuts aqui com vocês. divirtam-se!

expressão visual da música

explorando um pouco mais sobre a linha tênue que demarca a fronteira entre música e outras formas de arte, deparei-me com um trabalho muito interessante realizado pelo pintor novaiorquino phillip schreibman, que há mais de 45 anos representa sobre telas brancas a expressão visual da experiência musical. confesso que achei que ele viaja um pouco quando busca conexão de temas como sinestesia, formas de Rembrandt e abordagens de tempos horizontais, perpendiculares e óticos, no intuito de suportar sua proposição como artista.

seja como for, as obras são particularmente curiosas, merecendo no mínimo o benefício da dúvida…

beethoven (1770 – 1827)

sinfonia #3, “eroica”, opus 155

para quem quiser conferir, tem outras disponíveis aqui. divirtam-se! 🙂