quando o violão encontra a orquestra

noite de sábado, encerramento da temporada paulista da programação da orquestra sinfônica brasileira, sob a batuta de seu regente e diretor artístico roberto minczuk, em grande estilo: com a estréia mundial da Fantasia para Violão de Sete Cordas e Orquestra, tendo como solista um grande nome do violão brasileiro, yamandú costa.

composta por yamandú em co-autoria com paulo aragão, a peça de considerável dificuldade técnica foi precisamente executada pelo solista. lembrando que o violão conta ainda nos dias de hoje com um certo distanciamento das salas de concerto na medida em que o repertório para violão e orquestra é relativamente restrito, a escolha para ocasião tão especial na agenda da OSB é digna de nota. assim como não poderia deixar de mencionar a presença sempre muito bem-vinda de outro brilhante violonista brasileiro, fabio zanon, que do coro da sala são paulo, apreciou não apenas esta estréia, mas toda a programação da noite.

curiosamente, no momento do bis, ficou mais do que cristinalina a distinção entre o yamandú solista da peça para violão e orquestra, e o yamandú violonista cujo estilo peculiar é conhecido e reconhecido, do grande público aos ouvidos mais atentos – aquele mesmo estilo que faz dele o “paganini do violão“, nas palavras do ilustre maestro kurt mazur. numa colagem musical recheada de interpretação original e da irreverência que lhe é marcante, yamandú fez do bis um espetáculo à parte, arrancando acalourados gritos de bravo, da sala lotada.

e para terminar, como confessa grande apreciadora do violão que sempre fui, deixo meus cumprimentos à OSB e ao maestro roberto minczuk, pela iniciativa de promover a inclusão do instrumento em nossa cena musical das salas de concerto e pela prova de que ainda há muito espaço e muito o que se compor, executar e experimentar nesta inclusão!