de volta à sétima arte: l’occitanienne

Primeiro longa do diretor francês Jean Périssé, L’Occitanienne (ou le Dernier Amour de Chateaubriand, 2007) é uma bela homenagem ao famoso romance vivido pelo poeta francês René de Chateaubriand com a jovem Leontine de Villeneuve, 40 anos mais nova e com quem manteve intensa correspondência amorosa ao longo de dois anos. O filme ambientado num hotel nos Pirineus numa noite de tempestade, é baseado na autobiografia do escritor, e construído sobre diálogos contrastantes e, a seu modo, apaixonados. O que mais me impressionou na construção da linguagem foi a qualidade do uso da música na criação dos momentos. Schubert, Janácek e Schönberg se intercambiam entre diálogos e temas, com uma fluidez notável. Apesar da noite de tempestade no interior do hotel, a evolução dos diálogos evoca lindas imagens das paisagens da Occitania, região do sul de França, berço do gênio de personalidades como o compositor Gabriel Faurè e o escritor Paul Valéry. Uma ótima surpresa na programação de cinema do Eurochannel de hoje.

Sobre a trilha do filme:

  • Sonate in A major, D959“. Composta por Franz Schubert, 1828, parte das “3 Últimas Sonatas” que são consideradas obras-primas
  • Sexteto de Cordas, Opus 4, “La nuit transfigurée” ou “Verklärte Nacht”. Composta por Arnold Schönberg, 1899, em homenagem a uma grande paixão que veio a tornar-se esposa do compositor
  • Quarteto de Cordas #2 “Lettres intimes“. Composta por Leos Janácek, 1928, e considerada uma de suas grandes obras ou “manifesto ao amor”