The Nutcracker – O quebra-nozes da Temporada 2013/14 do Royal Opera House de Londres

A contar pelo pouco sucesso de sua estreia em dezembro de 1892, no Teatro Mariinsky em São Petesburgo, a montagem do ballet ‘O Quebra-Nozes’ (The Nutcracker), teria sido apenas mais um ballet no repertório dos clássicos russos. Mas a música composta por Tchaikovsky para o ballet, esta sim encantou o público, especialmente a suite, e esta composição figura até hoje entre as suas mais conhecidas.
Tchaikovsky usou na orquestração da peça um instrumento bastante “jovem” na época: a celesta (Paris, 1886). A celesta é um instrumento parecido com um piano, porém suas teclas acionam martelos que batem em peças de metal, ao invés de cordas. Na prática, isso significa que o som produzido lembra bastante o de caixinhas de música e também do famoso glockenspiel. O som delicado da celesta é usado no Quebra-Nozes nas aparições da Fada Açucarada, a princesa de um reino encantado.
O Quebra-Nozes da Temporada 2013/2014 do Royal Opera Ballet, foi apresentado em Londres em 5/12/2013. Com um enredo que trata de uma aventura encantada de uma menina e seu presente de natal, a montagem deste ballet nas vésperas de Natal é presença obrigatória na agenda das grandes companhias e teatros já desde a década de 1960 (Estados Unidos).
Aqui no Brasil, a rede Cinemark exibe alguns ballets da Temporada 2013/2014 do Royal Opera Ballet, e foi lá que assisti ontem à noite, a montagem de dezembro passado em Londres.
No geral, achei a montagem boa – figurinos impecáveis, cenário interessante, ótima execução musical. Mas preciso dizer que me incomodei muito com a coreografia, em muitas oportunidades, descasada com a música. E não apenas, mas especialmente no solo da Fada Açucarada!
Apesar de talvez entender o intento de algumas “inovações” particularmente não gostei tanto do resultado. Por exemplo: o quadro dos chineses… Pode ser resistência da minha parte, mas confesso que não achei que casou bem com os demais (espanhóis, russos, etc).
A personagem Clara – linda nos pezinhos ligeiros da bailarina inglesa Francesca Hayward – me encantou bastante e, aos meus olhos, convenceu no papel de menina surpresa e extasiada com o reino de fantasia onde seu sonho a levou.
Laura Morera no papel da Fada
Açucarada, do Quebra-Nozes
do ROH 2013.

Já da Fada Açucarada – vivida pela bailarina Laura Morera – eu creio que esperava mais. Claro que não é culpa da bailarina o fato da coreografia estar descasada com a música, isso não. Mas posso dizer que já vi “Fadas Açucaradas” melhores. Fiquei constrangida nas sequências de piruetas seguidas (sem deslocamento horizontal), em que ela não conseguiu manter o ponto fixo de término do giro. Bem, eu certamente devo estar enganada ou desatualizada quando a técnica no ballet, afinal a Laura Morera é ninguém menos do que a primeira bailarina do Royal Opera Ballet! 🙂

Seja como for, o mago Drosselmeyer (bailarino inglês Gary Avis), para mim foi genial!
A última apresentação desta versão do Quebra-Nozes na programação do Cinemark Brasil é nesta quinta-feira 6/2. Se interessar, ainda dá tempo de conferir!
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Lady Macbeth rouba cena em produção no Royal Opera House

A estória gira em torno da casa real escocesa, mas nesta versão de Elaine Padmore (direção de ópera) e Antonio Pappano (direção musical), o brilho ficou por conta da belíssima interpretação da ucraniana Liudmyla Monastyrska, no papel da Lady Macbeth.

Para quem não conhece, Macbeth é uma ópera em quatro atos, escrita pelo jovem compositor italiano Giuseppe Verdi, e estreada na Itália mais tarde, em1847. Apesar de na época tê-la considerado sua melhor ópera, Verdi seguiu por anos implementando ajustes e revisões em sua obra, até a estreia em Paris em 1865. Ao lado de Don Giovanni e La Sonnambula, entre outras, Macbeth faz parte das óperas mal-assombradas, por assim dizer, onde personagens assassinadas aparecem e atormentam a vida terrena de seus assassinos.

A ópera se baseia na estória de Macbeth, escrita por William Shakespeare, e fala sobre o poder e os meios dos quais nos valemos para obtê-lo e mantê-lo. É uma estória antes de mais nada repleta de estratagemas e sangue, além de profecias e bruxas.

A versão apresentada esta semana no Royal Opera House do Covent Garden de Londres esteve mais alinhada com a versão de 1865. Além do espetacular desempenho do soprano no papel de Lady Macbeth, o coro do The Royal Opera – que tem um papel de destaque na ópera – foi outra grata surpresa. Na minha modesta opinião, o desempenho do coro foi bastante além do papel musical que lhe cabe, e excedeu as expectativas no quesito representação, algo muito bem-vindo dado o conteúdo dramático da estória.

E para fechar creio que vale parabenizar o projeto da rede Cinemark, que em sua temporada 2012 ofereceu para nós brasileiros grandes produções em ópera e ballet, gravadas ao vivo no Royal Opera House de Londres, com legendas em português e comentários do crítico Marcel Gottlieb, durante os intervalos. Vida longa ao Projeto! 🙂

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